Home Resenhas Resenha: Bullying – Matando aula – Somos todos meio monstros

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Adaptar temas polêmicos para a realidade brasileira é tarefa para poucos. Principalmente um tema tão atual quanto o bullying na escola e suas trágicas consequências. Chocantes e polêmicos, obras como A lista negraPrecisamos falas sobre Kevin,  até mesmo quando elas alcançam a telona como Tiros em Columbine. Mas será que recriar esse panorama em uma escola pública brasileira refletiria o mesmo panorama.

Isso é que L.L. Santos nos mostra em sua obra, Bullying – Matando aula. Acompanhamos a trajetória de Carlinhos, um menino que deixou a maldade tomar conta de seu ser graças aos maus tratos que sofria todos os dias na escola. Magoado, machucado física e psicologicamente, ele resolve dar o troco no último dia de aula. Com uma máscara de gás no rosto e uma mente deturpada e sem esperanças de que o ensino possa salvar uma geração, ele entra na sala, de arma em punho, pronto a destruir todos. Inclusive a professora…

O que fez o rapaz pensar em solucionar os seus problemas com tamanho gesto de loucura? Quem estaria por trás da dor de Carlinhos?

O autor conseguiu me surpreender, e muito, com a sua narrativa. Os alunos daquela sala, ao longo dos capítulos, vão desfiando ao leitor as suas histórias, intercalando-as com o ponto de vista  do “assassino”. E posso te falar uma coisa – nenhum deles é inocente.

Assim, página após página, vamos mudando as nossas opiniões sobre quem é o verdadeiro vilão da história. E colocamos a nos pensar se o nosso sistema de educação é tão longe dessa triste realidade, se quantos “Carlinhos” deixamos tomar forma no dia a dia, massacrados pelo governo que deveria ampará-lo, na qual o aluno está longe do protótipo de anos atrás, onde a imagem do educador era respeitada.

Ao terminar a leitura, me peguei a pensar um pouco mais – fiquei me indagando em quantos alunos sofrem com essas brincadeiras tidas por muito como inocentes e sofrem em silêncio. Diante desse apelo mudo que muitos sofreram – eu fui um destes alunos, afinal – penso em quem não tem vontade, certas vezes, de entrar em um lugar e destruir tudo que te machuca.  Eu tive a biblioteca da escola para criar uma fortaleza à minha volta… Mas e quem não tem?

Espero mesmo, que trazendo esse assunto à t0na com textos de grande qualidade como este, não possamos rever nossos principais valores. Educação, liberdade e cidadania. Não só por nós, mas por aqueles que ainda virão.

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