terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Resenha - A hora da escolha



Quando chega o momento de escolher, seguimos o amor ou a responsabilidade? A razão ou a emoção? A Escolha de Elphame (428 páginas, Editora Harlequin) é permeada por essas dúvidas, pela eterna escolha entre o sentir e o pensar.

P.C. Cast ficou mundialmente conhecida pela sua série House of Night, mas este romance é escrito de uma maneira muito diferente. Com uma linguagem mais sóbria e madura, narrada em uma terra fictícia Partholon, onde humanos e centauros vivem juntos, ela se aprofunda em questões sobre amor e fé.

Elphame, a protagonista, é uma escolhida da Deusa, nascida híbrida, parte humana e parte centaura. Perdida em seu próprio lar, decide ir à busca de um sonho, a reconstrução do Castelo MacCallan, um lugar abandonado por muito tempo, após ter sido vítima de um terrível destino.

Nesta obra, somos envolvidos por uma mitologia adorável, um mundo regido por Epona, uma deusa simbolizada pelos cavalos. A magia dos elementos volta como em House of Night, mas de um modo mais brando, com rituais discretos e singelos.

A narrativa de P.C. Cast é deliciosa. Fluida, com descrições um pouco longas, mas que consegue nos levar para este mundo mágico criado. Narrado em terceira pessoa, mantém o ponto de vista predominantemente em Elphame, passando também por outros personagens principais.

Os personagens são criados de maneira rica. A descrição física de Elphame é estranha e soa um pouco irreal demais, mas sua personalidade forte é tão bem traçada, que nos esquecemos do detalhe de sua aparência. Cuchulainn, o irmão da protagonista é vivo e cheio de energia, nos fazendo vibrar através das páginas. Brenna foi, sem dúvidas, minha personagem preferida, forte, doce, mas ao mesmo tempo frágil e tímida.

É um livro entremeado por um fundo fantástico, cheio de magia, profecias e criaturas amaldiçoadas, mas motivado pelo romance. Os irmãos, Elphame e Cuchulainn, descobrem a força do amor através de sua viagem, e são levados ao limite por suas paixões, esquecendo aparências e preconceitos.
Eu gostei de todo clima romântico criado, mas devo admitir que me incomoda a tendência dos livros juvenis do amor predestinado.

O sentimento simplesmente surge numa troca de olhares e todas as dúvidas são deixadas para trás. Amar parece simples e fácil como ir ao cinema. Não há dúvidas e as poucas traições não passam de enganos feitos pelo bem do amor. Esse clima de amor-perfeito criado nas obras nos dá uma sensação de felicidade falsa e principalmente, tudo fica facilmente previsível. Ninguém faz nada para prejudicar o amado, tudo é controlado e a doação é completa, sempre colocando o parceiro a frente de suas próprias ambições.

Um ponto positivo desse livro, ao contrário de outros com essa temática amorosa, é que a protagonista é uma mulher forte e determinada e que as escolhas parecem mais saídas de sua cabeça do que do destino, apesar das consequências serem iguais. O amor do irmão é mais bem trabalhado, pois surge devagar, com dúvidas e atitudes estúpidas, como um romance real costuma ser.

O livro me surpreendeu positivamente. Recomendo para os fãs de histórias românticas e aventuras fantásticas.


Livro nota

4 comentários:

Essa é um série que também tava na minha lista, isso, tava, mas agora vou por de novo porque me interessei mais ainda lendo a resenha, é sério, eu já tinha visto por aí mas não tinha lido tantas resenhas dela.
Tenho que comprar o primeiro e o segundo logo!!!!

Eu ainda não li o segundo, mas lerei!
Obrigada pelo comentário. =D

Eu não li ainda e confesso que foi por conta de resenhas negativas que li. A maioria das pessoas faziam um paralelo com The house of night e, pelo que vi, não tem nada a ver.
Gostei da resenha Natalia, muito bem elaborada. E vou ler ele pra tirar minhas conclusões ;)
Bjoo ;*

Não tem mesmo nada a ver com House of night, como eu até escrevi na resenha. É uma proposta mais madura, uma linguagem mais culta e com muito mais descrições.
Eu, particularmente, gosto da riqueza de descrições e detalhes, assim como a linguagem mais elaborada. Mas é questão de gosto. =D
Beijos