Olá, Queridos!
Sei que sentiram a minha falta, mas não se preocupem que a tia Carol está aqui para espalhar amor e alegria entre vós!
uHAUHaUHAUHAuHAUHAuHAUHAuHAUHAuHAUHA, até eu fiquei com medo de mim agora -.-"
Então, voltando ao que interessa, o livro que trago para vocês hoje é o ultimo da primeira leva de livros que o Danilo me mandou (Vem cá seu lindo!), e também foi um dos livros mais complexos que eu já li, e eu leio muito, muito mesmo, até hoje as únicas pessoas que conheci que me superam em numero de leituras é a minha mãe e o Danilo.
Para entender a complexidade de O Cemitério de Praga (480 páginas, Record) é preciso primeiro entender a mente que criou a história. Humberto Eco é famoso pelas suas histórias cheias de enigmas e estratagemas, que levam os leitores a outro nível da imaginação. Eu tenho 25 anos, e o meu primeiro contato com o universo criado por Humberto Eco foi com o filme "O Nome da Rosa", baseado no livro de nome homônimo, escrito por ele.
Ele escreve o tipo de livro que, quando você começa a ler não existe nenhuma dica de qual será o final do livro, você não consegue simplesmente adivinhar o final, coisa rara nos livros dos dias de hoje.
O primeiro alerta a se fazer sobre o Cemitério de Praga, é que ele é baseado em fatos reais.
Então você me pergunta: Carol esse capitão Simonini fez mesmo todas essas coisas?
Minha resposta: Não! Pode ter existido alguém que tenha feito algumas dessas coisas, mas quando eu falo de fatos reais, eu falo da história em si, a história por detrás da história. Os acontecimentos históricos que Humberto Eco usa para ambientar sua trama são reais.
A história fala sobre o Capitão Simonini, um falsificador de primeira, que também faz às vezes de espião. Seu trabalho consiste em inventar histórias, que tenham fundo de verdade ou que seja verossímil o bastante para que quem ler acredite que possa ser real, e também consistem em criar documentos que embasem essa história.
A história é contada de três ângulos, porque vejam bem, Simonini está com um problema, ele não sabe se tem alguém morando na casa que é interligada a dele, ou se ele ficou louco e adquiriu dupla personalidade, e para determinar se está louco ou não, ele começa a escrever a história da sua vida. Logo o seu vizinho, ou seu Alter ego, começa a fazer observações nesse mesmo diário, completando história que Simonini parece escrever.
A terceira parte do livro é o próprio narrador, que descreve seu trabalho como alguém que estaria olhando por cima do ombro de Simonini enquanto este escreve.
O livro se passa na maior parte do tempo na França, então a maior parte dos acontecimentos históricos nos quais o livro é baseado é daquela região, quando você for ler o livro e ver como ele usa esses acontecimentos, é bom lembrar que o Capitão Simonini é o único personagem desse livro que não existiu na vida real, então cuidado com teorias de conspiração, porque você verá esses acontecimentos se desenrolarem por detrás das cortinas, como se Simonini ajudasse a criá-los.
Se você for judeu, ou descendente de judeu, pode ser que ache que o Humberto Eco esta sendo preconceituoso e exagerado. Tendo em vista que não importa qual teoria da conspiração Simonini está criando, ele sempre tenta incluir os judeus. O ódio que a época e, portanto o personagem nutre por essa raça\cultura\religião chega a ser doentio.
Então desculpe querido, mas ele não está sendo preconceituoso, ele está sendo historicamente correto.
Acontece que enquanto estava lendo o Cemitério, comecei a ter aulas na Universidade sobre a Questão Palestina-Israel, e segundo meu professor, as coisas naquela época realmente eram desse jeito.
Sobre a escrita do livro é bom fazer um adendo: o começo do livro é um saco de ler.
O autor faz muitas referencias a lugares, ruas, restaurantes, coisas que um francês pode até achar interessante, já que está na sua cidade, mas que para quem, como nós não está na França, é muito maçante. Outra coisa que acontece é que nem sempre você tem certeza de em qual tempo o personagem está, e acredito que isso o autor fez de propósito.
Por isso e por outras coisas, Cemitério de Praga entrou para o ranque de livros que atacaram meu DDA, mas como o livro é muito bom, valeu a pena o esforço e o tempo desprendido para lê-lo.
Uma ultima coisa, se você está se perguntando pelo nome do livro, eu explico para vocês. Cemitério de Praga é como o Simonini chama a sua maior e mais querida conspiração judia.